quinta-feira, 12 de julho de 2012

Há um mundo que é mesmo (muito) pequenino


Sempre ouvi dizer, desde muito criança, que o mundo era pequeno. Pois eu nunca percebi. Já foi difícil, para mim, entender e aceitar que a terra é redonda. Por isso, já estão a ver o que a casa gasta. Esta e tantas outras informações que me foram dadas ao longo dos anos, nem sempre foram fáceis de aceitar, é verdade. E nem quero falar aqui na do pai natal. Seria cruel demais...
Não acreditava na altura, e ainda não acredito agora, que já tenho idade para ter juízo. Nunca achei que o mundo fosse pequeno. Pelo contrário. Sempre o vi demasiado grande, demasiado distante, demasiado por descobrir.
Tinha uma amiga (aliás ainda a tenho. É a minha melhor amiga há uns 15 anos) para quem, efectivamente, o mundo era pequeno. Encontrava sempre, nos locais mais improváveis, as pessoas menos esperadas mas mais desejadas também. A mim, nunca me aconteceu. Nem uma única vez. A tal de excepção que confirma a regra, estão a ver? Nem essa tive. Quantas vezes saí de casa e fui a um determinado sítio pensando que poderia esbarrar, por azar (ou por magia, nem sei ao certo), com este ou aquele. Fazia isso, em vez de responder a um simples sms que, com toda a certeza, merecia resposta (como eu sei disso, agora). Porque era orgulhosa ou demasiado insegura para o fazer. Quantas vezes quis ir a um ou outro lugar, só porque sim, mas acabou por não dar. E vinha a saber, mais tarde, que aquela pessoa que eu tanto queria rever lá tinha estado, naquele mesmo sítio, no dia em que eu era para ir também. Acreditam? Tudo verdade. Não tinha ido eu, porque o malvado do destino* não deixou, mas tinha ido a minha melhor amiga, lá está. Ela, depois, é que me dizia: "sabes, Mam'Zelle, quem eu vi naquele tal sítio onde querias ir mas não deu?" Não precisava de acrescentar mais nada. Eu já sentia. Já sabia perfeitamente quem ela tinha visto. Porque, para ela, o mundo é, e sempre foi, extrema e estranhamente pequeno.








Mas, há poucos dias, percebi que o mundo era realmente pequeno. Só que não é o mesmo mundo de que me falavam em criança. É que este mundo, aquele de que estou a falar agora, não existia na altura (chiça, que estou velha!). Falo do mundo da blogosfera. Frequento-o há relativamente pouco tempo, é certo. Uns três meses e meio, talvez. Mas já deu para ver que este, realmente, é um mundo miudinho. Aquilo que parece impossível acontece de facto. Pessoas que julgamos tão distantes, sem razão para se conhecerem, afinal, até se conhecem e muito bem. E o mais engraçado é que chegamos lá por uma sucessão de distracções, lapsos, ou coincidências. E começamos a comparar datas. E tentamos encontrar o fio à meada. E apuramos factos. E tudo se encaixa. E tudo o que pressentíamos, finalmente se confirma. Somos a única pessoa a ver isso, mas confirma-se sim. Só é lixado quando mete amigos ao barulho. E mete. Um amigo que sofre. Que, sem dúvida, está uma sombra do que já foi. Um amigo que tenta esquecer, mas não esquece.
E, assim, descobri que há pessoas e pessoas. E percebi que tudo isto é uma questão de relacionamentos, afinidades, trocas e também baldrocas. E fiquei a saber que o mundo é pequenino, sim. Este mundo. Este mundo em que agorinha mesmo estou a escrever, entenda-se.


Também deu para perceber que sou bruxa (por adivinhar coisas e não por fazer mezinhas, nem lançar feitiços, nem fazer vodu. Fica, mais uma vez, aqui esclarecido). Mas isso, já sabia há um tempinho. O problema é adivinhar sempre aquilo que não tem nada a ver comigo. Aquilo que, para ser muito sincera, não me interessa nem um tico. Já pareço a Dona Maya. Sabe resolver os dilemas de toda a gente (diz-se). Menos os dela...




sina, fatalidade, acaso, karma ou o raio que o parta. Nem sei como hei-de chamar a esta porra, mas que é tramada, lá isso é. Não tenham dúvidas.

10 comentários:

  1. Oh. Eu sou como a tua amiga. Para mim há 2 mundinhos pequenos. este e o outro. Mas como sou grande justifica-se xD

    Ainda há dias reparei que, na blogoscoisa, que nos comentamos todos uns aos outros. Cute, I think.

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    1. Pois, eu não sou grande, deve ser por isso ;) Mas olha que, pensando melhor, a minha amiga ainda é mais baixita do que eu. Por isso, não deve ser por aí... Karma, parece-me mais adequado ;p

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    2. Eu sou o tipo de pessoa que sonha com um mundo 'grande'. Aquele grande tão grande que, se eu for até ao fim do mundo, não vou encontrar nada nem ninguém que está do outro lado. Mas engano-me, parece que há algo que nos liga, que nos faz aparecer quando menos se espera... É muito estranho. É um mundo demasiado pequeno, este (ou talvez com a medida certa...).

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    3. Pois, cada um tem a sua perspectiva sobre este assunto. Perspectiva que tem a ver com a maneira de pensar e as vivências de cada um. Par mim, o mundo lá fora será sempre enorme, contrariamente ao mundo da blogosfera :)

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  2. Tu és das pessoas mais perspicazes que por aqui anda..eu que o diga :P

    Quanto à pequenez do nosso mundo...é uma ervilha, é o que é!

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    1. eheheh... é verdade Sue ;) É como eu digo, quando tem a ver com os outros, eu até chego lá. Agora, quando a mim diz respeito, é outra história...

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  3. É como diz a Régine: "Sometimes I wonder if the world's so small
    That we can never get away from the sprawl". E não conseguimos, não.

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    1. Bela referência, Hipster Luke.
      Quanto ao resto, não sei.

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  4. Tenho que te dar os meus parabéns!

    Consegues misturar de forma única textos mágicos com fotos divertidas e igualmente únicas, por serem tuas!

    Delicio-me com cada letra dos teus textos.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

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    1. Eina! Mais uma vez, muito obrigada, hsb.
      Nem sei muito bem o que dizer. Só te posso dizer que fico muito satisfeita por saber que aprecias os meus textos, muito mesmo :)

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