Por que me daria eu ao trabalho de escrevinhar por aqui umas linhas aproximativas,
quando o Senhor Xilre semeou as palavras certas que me colhem o coração?
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
terça-feira, 6 de março de 2018
(Tal e qual) um par(to) perfeito
Há coincidências que mais parecem o destino a tentar abrir-nos os olhos.
Há coincidências que não enganam e que, inevitavelmente, nos fazem sorrir quando damos por elas. (e eu, distraída inveterada, nem sempre as alcanço à primeira.)
Há coincidências que não enganam e que, inevitavelmente, nos fazem sorrir quando damos por elas. (e eu, distraída inveterada, nem sempre as alcanço à primeira.)
Há
coincidências deliciosas que me fazem acreditar que não sou um caso
perdido e que aquela analogia da minha avó, sobre utensílios de cozinha, é
capaz de estar certa. Tão certa quanto tudo aquilo que ela dizia, a
minha avó.
Passaram
nove meses certinhos. Com todas as etapas que um parto perfeito deve
ter.
A surpresa. O encanto.
A negação, pautada pelo medo. Um receio bobo de se vir a perder aquilo que se está a ganhar.
As descobertas. As adaptações. As dúvidas. A aprendizagem.
O conhecimento. As alegrias. Os aconchegos.
E, paulatinamente, a certeza de que o que nos está a acontecer é melhor do que aquilo que tínhamos antes, por melhor que fosse.
A surpresa. O encanto.
A negação, pautada pelo medo. Um receio bobo de se vir a perder aquilo que se está a ganhar.
As descobertas. As adaptações. As dúvidas. A aprendizagem.
O conhecimento. As alegrias. Os aconchegos.
E, paulatinamente, a certeza de que o que nos está a acontecer é melhor do que aquilo que tínhamos antes, por melhor que fosse.
O processo leva nove meses, para um parto perfeito.
Demorou nove meses para nós também.
Tu e eu. Perfeitos, no encaixe sísmico das nossas imperfeições.
Tu e eu. Perfeitos, no encaixe sísmico das nossas imperfeições.
(vinte e três de Outubro de dois mil e quinze)
[ segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
E é isto #22 (especial Ano Novo)
Ontem, à noite, comi lentilhas.
Tenho mantido esta tradição há já algum tempo.
Diz que traz fortuna para o ano que, naquele dia, se inicia.
Eu cá, preferia que me trouxesse paz de espírito.
Será que há algum ingrediente milagroso que se deva comer no primeiro dia de Janeiro para isso? Para se ganhar paz de espírito o resto do ano? Todo?
Isso é que eu queria. Mesmo. Comia o que fosse preciso. A pior comida à face da terra marchava sem sequer reclamar [feito considerável, a parte do não reclamar, devo ressalvar]. Metia-a pela goela abaixo. Todinha. E satisfeita, que é outra.
Porque não há coisa melhor do que a paz de espírito. E a saúde. Mas essa, fiz questão de a pedir nas doze passas que emborquei de uma só vez. Já passava da meia noite. Só saúde. Nada mais. Não pensei em pedir outras coisas boas que por aí há.
Há meia noite ainda estava no carro. Estacionamento que é bom, nem vê-lo. Parar à frente de dois carro. Sair para o frio com o fogo já a estoirar no ar. Maravilhar-me, como sempre. Como se fosse o primeiro fogo de lágrimas que visse na vida. Como se fosse uma criança. Porque sou uma criança. Porque só uma pita com as hormonas aos saltos é que consegue dizer que aquelas rosáceas de fogo no céu não têm valor. Passou à minha beira, nem olhei para ela, mas fiquei com pena da moça. E ainda mais satisfeita comigo mesma, por nunca ter sido uma adolescente birrenta. Talvez o seja agora. Um tico. Birrenta. Mas com manias de adolescente, nunca. Criança. Sempre.
Amor. Nunca penso nisso. Mas teria sido outra das possíveis coisas boas a pedir, com as passas agarradas aos dentes. Nunca penso nisso porque sempre achei dispensável. Nunca precisei, a bem dizer. É que não sou dada a sentimentos, como a malta tão bem sabe. Mas, agora que [supostamente] o tenho, deveria fazer um pedido. Pedir que não me martirize o juízo. Pedir que seja calmo e sereno e forte. E brilhante e mágico e surpreendente, como o é o fogo de lágrimas das passagens de ano.
E louco. Sempre. Louco como eu. Para nunca deixar de me sentir em casa. Para nunca deixar de me sentir bem.
E louco. Sempre. Louco como eu. Para nunca deixar de me sentir em casa. Para nunca deixar de me sentir bem.
Para me conseguir trazer, naturalmente, aquela paz de espírito que tanto anseio.
nota: como tudo o que escrevo - e o que sou - este texto tem um pouco da minha mãe Zremira. escrever é também agradecer-lhe, todos os dias, as palavras inspiradas (e inspiradoras) que me ensinou.
nota: como tudo o que escrevo - e o que sou - este texto tem um pouco da minha mãe Zremira. escrever é também agradecer-lhe, todos os dias, as palavras inspiradas (e inspiradoras) que me ensinou.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
E é isto #19
Hoje é um dia lixado.
Não por estar com uma constipação daquelas que só desejamos passar ao nosso chefe ou à vizinha de cima que teima em andar de salto alto pela casa fora. (não tenho nem um nem outra. menos mal.)
Hoje é um dia lixado por ser o dezanove de Dezembro.
Hoje é um dia lixado porque, para além de pertencer ao último mês do ano (o mês que menos gramo), é o dia em que uma das pessoas mais importantes da minha vida inteira se foi.
Há dois anos, numa espécie de lei da compensação tardia, o acaso deu-me uma alegria. Pôs, no meu caminho, um turbilhão. Trouxe também, para além dele, um queque de limão e sementes de papoila com um ar para lá de duvidoso, mas que me soube bem.
Este ano, não tenho nem uma coisa nem outra. O turbilhão anda pelo mundo fora. O queque, esse, ficará à minha espera naquela vitrine manhosa, junto às bilheteiras de cinema
Este ano, nem o queque nem o turbilhão. Só esta minha constipação.
nota: este ano, a lei da compensação veio em forma de pão com nutella. a constipação - que me agarrou e não me larga - não me deixou saborear grande coisa. mesmo assim, tinha de ser.
nota: este ano, a lei da compensação veio em forma de pão com nutella. a constipação - que me agarrou e não me larga - não me deixou saborear grande coisa. mesmo assim, tinha de ser.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Aquela terra que nunca foi minha e que, a cada ano que passa, mais se distancia da pessoa que sou
Fui a única da família a não ter nascido lá. Naquela terra que viu nascer os meus avós, paternos e maternos, os meus pais e a minha irmã.
A minha irmã que não pode ter sido trocada na maternidade, visto ter nascido à lareira, na cozinha da casa da minha avó, a mamie Z, de quem já falei mais por aqui do que agora, mas que continua tão presente em mim.
A minha irmã que não pode ter sido trocada na maternidade, visto ter nascido à lareira, na cozinha da casa da minha avó, a mamie Z, de quem já falei mais por aqui do que agora, mas que continua tão presente em mim.
A minha irmã nasceu na terra. As parteiras foram as irmãs da minha avó. Não houve cá trocas possíveis. Ficou tudo em família.
Comigo não.
Eu não nasci na terra. Nasci em França. Numa maternidade. Ninguém sabe se fui trocada. O certo é que sempre ouvi dizer, enquanto criança, que era uma possibilidade.
Ao contrário da minha irmã. Que nasceu na terra. Que é filha da terra. E, seguramente, filha daqueles que, tal e qual como ela, sempre considerei meus pais.
Ao contrário da minha irmã. Que nasceu na terra. Que é filha da terra. E, seguramente, filha daqueles que, tal e qual como ela, sempre considerei meus pais.
Apanhar o IP3. Sair em Tondela. Passar por Molelos, onde a minha mãe costumava comprar chouriças à senhora que tratava toda a gente por meu amor, com aquela sua vozinha de mel do mais enjoativo que possam imaginar. Mania, ou ousadia, que eu nunca entendi e não suportava. Campo de Besteiros e a Joaninha dos pastéis de nata gigantes. Chegar ao Caramulo. Mais uns quinze minutinhos até poder parar o carro, após hora e meia de viagem. Passar Monteteso, terra cujo nome - que se avista na placa à entrada do sítio - me deixa sempre com um sorrisinho malandro nos lábios. Mais à frente, cortar à direita para não ir ter a Oliveira. A partir daí, é sempre em frente. Já não há canal de rádio que se apanhe em condições. O que vale (será mesmo?) é estarmos quase a chegar à terra.
Chegar.
Passar frente ao café do meu tio. Por ser Agosto, a esplanada está sempre cheia de familiares que se viram para a estrada mal ouvem um carro a aproximar-se. Perceber que, a partir daquele momento e nas horas que se seguem (ou dias, talvez), seremos o principal tema de conversa. Toda a gente sabe alguma coisa. Toda a gente tem uma opinião que apresenta com fulgor. Toda a gente julga que percebe da vida dos outros. Raramente alguém está certo.
Foram só dois dias.
Chegaram a ser quatro, quando ainda se estavam a combinar as coisas. Mas, rapidamente, percebi que não poderia abdicar do meu sábado. Depois, ficou em três. Afinal e em boa hora, consegui escapar-me também à quarta-feira. Assim, mesmo nas últimas. Fiquei sem a noite de sardinhada - com pimentos assados e pão de milho - que tanto gosto. Mas valeu-me o sossego de mais um dia em casa.
Foram só dois dias. Pareceu quase uma eternidade.
Não sou da terra. Aquela gente, neste aspecto, sempre teve toda a razão.
Nunca o fui e, a cada ano que passa, ainda o sou menos um pouquinho.
E ainda bem.
É que nem do Cabeço Grelheiro,
espectador imponente das minha brincadeiras de infância,
ficam saudades.
É que nem do Cabeço Grelheiro,
espectador imponente das minha brincadeiras de infância,
ficam saudades.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Por falar em combinações perfeitas
Ao escrever isto, lembrei-me da minha avó e de como também formávamos uma combinação perfeita.
Ao fim-de-semana, a minha mãe fazia sempre um bolo ou uma tarte. A tarte de maçã da minha mãe era simples: massa areada (feita por ela), compota de maçã (também caseira) e maçãs cortadas em meias luas finas, polvilhadas com canela. O que eu gostava mais era sem dúvida da massa areada. A Mamie Z, sem dentes e só com uma placa na parte superior, preferia a compota e as maçãs. Parece que a estou a ver, sentadita num dos sofás da sala, a comer com uma colher, daquelas de sobremesa, a parte de cima e a oferecer-me - piscando-me o olho e denunciando, assim, a nossa cumplicidade sem fim - a parte que não conseguia comer. Tinha sempre direito a uma dose dupla de massa areada, a minha e a dela. Para mim, não havia maior combinação possível. E era perfeita, a nossa combinação.
Tenho saudades das tartes e dos bolos de maçã da minha mãe. Tenho saudades daquelas rotinas que se vão instalando e enriquecem a nossa infância.
Tenho saudades delas as duas, essencialmente.
Tenho saudades das tartes e dos bolos de maçã da minha mãe. Tenho saudades daquelas rotinas que se vão instalando e enriquecem a nossa infância.
Tenho saudades delas as duas, essencialmente.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
É mais ou menos isto #8
And i'll remember
The love that you gave me
Now that i'm standing on my own
I'll remember
The way that you changed me
I'll remember
(Madonna - I'll remember)
Teria feito 102 anos no fim-de-semana, a minha Mamie Z. Sempre comigo, na minha memória cheia de saudades dela. Sempre comigo, em quase tudo o que eu sou. Parabéns, mãe Z're.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Porque, hoje, é o dia #5
não podia deixar de fazer referência, uma vez mais, à minha Mamie Z por aqui. Pois que lembrar-me dela, lembro-me todos os dias. Não preciso de uma data específica, como a de hoje, para isso.
E como não sou pessoa de gostar de me repetir (às vezes acontece, mas isso é da idade que não perdoa. Uma pessoa já não tem a memória de outrora. Sabem como é) e porque já disse tudo (enfim, nunca se consegue dizer tudo o que há para dizer de uma avó como foi a minha) o que tinha a dizer AQUI, só me resta acrescentar que a minha avó era a melhor do mundo. Já tinha dito? A sério? É bem provável.
(julho 1989)
Joyeuse fête mamie!
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Back to the Future
Sabiam que há pessoas patéticas que perdem quarenta e cinco minutos da sua tarde de domingo para verem o primeiro episódio da nova série do Dallas? Pois acreditem. Pelo menos uma, houve. Sei do que falo.
Tudo bem que não tinha nada de muito empolgante para fazer. Tudo bem que choveu o dia todo sem parar e isso ajuda-nos a ter uma "boa" desculpa para ter um domingo pouco empolgante. Tudo bem que usar eufemismos para parecer que o dia não foi assim tão mau nunca foi crime. Mas, uma coisa é certa, ainda não me recompus totalmente do dia de verdadeira trampa que tive ontem. Muito menos daquela hora menos um quarto que me levou de volta aos anos 80.
Pensei que poderia ser bom voltar a ver os Ewing, o Texas e os chapéus à cowboy. Enganei-me redondamente. O problema é que já não tenho aquela vozita tagarela que não se calava nem um minuto a comentar cada episódio à sua maneira. Já ninguém está à minha beira a tratar o JR de "cabeça-de-bola" e a Sue Hellen de "bêbada-sem-vergonha". Agora que penso nisso, não apareceu, nesta nova versão, o Cliff Barnes, "slip"* para a minha avó. Que pena. A Lucy ("a loirinha"), essa, está mais velha do que o Bobby ("o bonzinho"), coitada.
A minha avó adorava ver o Dallas. Não percebia tudo, porque lá em França falavam todos francês e a minha avó sabia dizer pouco mais do que o "bóju" (bonjour) e o "abuá" (au revoir) da praxe. Mas percebia à maneira dela. E o que tinha graça era que essa sua maneira, regra geral, era bem mais interessante e empolgante do que a versão original. E eu ria-me. Ria-me muito. Ria-me tanto com ela.
Já vos tinha dito que sinto uma saudade danada da minha avó? É uma daquelas saudades lixadas, a que sinto da minha Mamie Z.
(Esta versão francesa do genérico era qualquer coisa...)
* palavra francesa para "trusses" (cuecas de homem, se preferirem). Nem vale a pena explicar aqui o quanto nos ríamos, a minha irmã e eu, quando ouvíamos a minha avó a tratar o pobre do Cliff por "trusses".
nota: uma coisa que ainda valeu a pena, no meio daquilo tudo, foi voltar a ver o jardineiro da Eva Longoria, no Donas de Casa Desesperadas. Só isso. E já não é pouco.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Verdade existencial #4
(Sempre tratei a minha Mamie Z por mãe. Não haveria outra forma de a chamar. Quem cria, educa e ama como ela tão bem o fez, só pode ser mãe. Há quem diga que ser avó é ser mãe duas vezes. A minha não o foi só duas, mas sim todas e mais alguma. Faz hoje doze anos, tive de me render às evidências. Infelizmente, não houve descuido. Mesmo assim, nunca deixará de o ser, eterna, na minha memória e no meu coração.)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
A Audrey é que tinha razão...
Já imprimi o bilhete. Dez dias. É o tempo que falta para apanhar o avião e aterrar naquela cidade maravilhosa.
Por esta hora, já devo estar em casa. Sim, lá também é a minha casa. Nasci por lá. Vivi lá até à maioridade. Cresci e aprendi a ser quem sou naquela terra. A minha casa de França está cheia de recordações da minha infância. Mais que isso, está essencial e felizmente, recheada de apontamentos que me fazem lembrar a minha avó. Como já tenho dito por aqui, não preciso disto ou daquilo para me lembrar dela. Mas - sentar-me no sofá onde tantas vezes me sentei, à beira dela, a abraçá-la tão forte que desatava a rir à gargalhada antes de ficar quase sem ar e chamar-me de maluquinha; olhar para o pequeno altar que ela improvisou com imagens de santos recortados de forma grosseira, colados ao papel de parede antigo com pionés de todas as cores e onde ficava a rezar por "todos nós" durante horas - é bom. Faz-me relembrar instantes tão felizes da minha vida, tão cheios de tudo o que se deve ter em criança, que sorrio com o rosto inteiro. Sorrio por dentro também. Sorrio, antes de acabar por verter uma lágrima e mais outra. Porque a saudade é lixada. Porque a saudade, contrariamente ao que sempre me disseram, não passa. Não se acalma. Não se esquece. A cada dia que nasce, tenho mais. Ao longo destes doze anos sem ela, só aumentou, a malvada da saudade.
E pronto. Um post que se queria alegre e de fazer inveja à malta, transformou-se numa lamechice pegada. Deve ser do tempo. Prometo, não se vai repetir tão depressa. Palavra de Mam'Zelle.
Até porque, ir a França é muitas outras coisas. É estar com a família. É apalhaçar com as sobrinhas que já avisaram a mãe delas que, enquanto a "tata" estiver por lá, vão querer comer todos os dias em casa da "mamie". É saborear todos os macarons, amandines, forêt noire e outras iguarias que já estão à minha espera, assim como aquela quiche lorraine que só a minha mãe sabe fazer. É vaguear pelas ruas e imortalizar cada pormenor com uma foto. É absorver cada cheiro, ficar atenta a cada som. É aproveitar tudo o que passar por mim. Apreciar, desfrutar. Viver. Simples.
nota: não, não me apetece fazer um post sobre o 12/12/12, nem sobre a sorte que tenho por presenciar uma data tão gira, rara e espectacular. Ficam com muita pena? Ficam? Bem me parecia.
Até porque, ir a França é muitas outras coisas. É estar com a família. É apalhaçar com as sobrinhas que já avisaram a mãe delas que, enquanto a "tata" estiver por lá, vão querer comer todos os dias em casa da "mamie". É saborear todos os macarons, amandines, forêt noire e outras iguarias que já estão à minha espera, assim como aquela quiche lorraine que só a minha mãe sabe fazer. É vaguear pelas ruas e imortalizar cada pormenor com uma foto. É absorver cada cheiro, ficar atenta a cada som. É aproveitar tudo o que passar por mim. Apreciar, desfrutar. Viver. Simples.
nota: não, não me apetece fazer um post sobre o 12/12/12, nem sobre a sorte que tenho por presenciar uma data tão gira, rara e espectacular. Ficam com muita pena? Ficam? Bem me parecia.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Je t'aime / C'est drôle, moi aussi
Já sou fã do trabalho do fotógrafo Sacha Goldberger há bastante tempo. Apaixonei-me pelo projecto Mamika mal vi a primeira foto. Quando percebi tudo aquilo que estava por detrás desta ideia original, ainda mais rendida fiquei. A intenção de Sacha, ao iniciar esta aventura, era fazer com que a avó de 91 anos não se deixasse vencer pelo tédio. Criou assim a personagem da super-avó Mamika, interpretada por Frederika, avó do fotógrafo. O resultado está à vista. Fotos super originais, divertidas, coloridas, improváveis, até. Tudo o que eu gosto, portanto.
No outro dia, voltei a ver uma reportagem feita à dupla maravilha e, novamente, comovi-me. Não foi por ver aquela avó, cheia de energia e bem disposta, e lembrar-me da minha. Não preciso de reportagens para isso. Penso nela, na minha avó, todos os dias. Porque vejo um filme e recordo que é exactamente o tipo de filme que ela adorava ver, rindo à gargalhada. Porque como uma pêra e me lembro o quanto ela gostava deste fruto. Porque uso uma expressão ou uma palavra que só ela dizia e que, para sempre, passou a ser minha. Porque me sento no sofá e só quero que ela esteja aqui, à minha beira, a fazer mais um par de meias-arco-íris. Porque sons, imagens, cheiros ligados a ela aparecem nos mais ínfimos pormenores do meu dia a dia. Porque ela fez parte da minha vida e irá continuar a fazer, até ao resto da minha vida. Porque muito do que sou hoje a ela o devo.
Voltando à reportagem. Fiquei comovida, não por estar perante uma avó e o seu neto, como já referi. Fiquei comovida por uma troca entre eles, muito rápida mas que muito (me) disse. A Frederika estava a ser maquilhada para iniciar mais uma sessão fotográfica e o Sacha chegou-se ao pé dela. Baixou-se e murmurou-lhe ao ouvido: "Je t'aime". A avó olhou par o neto e, num misto de troça e de ternura, respondeu-lhe: "C'est drôle, moi aussi."
Era "só" isto.


Uma curta metragem - "Un destin ordinaire extra" - que leva a história de Mamika das fotos para a tela, está em preparação.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Porque, hoje, é o dia... #2
Já o disse aqui. Não sou de comemorações do dia disto ou daquilo. Mas, como aconteceu com o dia da criança, também não posso deixar passar esta data sem a assinalar. Hoje, é dia dos avós. E eu tive a sorte de ter a melhor avó do mundo. Aquela avó que é avó. Que ensina, que cuida, que conta histórias, que brinca, que repreende. Simplesmente, que ama os netos. Que não deixa de ser quem é por receio que os netos não gostem dela. O importante é estar presente e amar, amar muito. Isso percebe-se. As crianças percebem e retribuem. Não precisam de presentes a toda a hora, de falinhas mansas, de mimo excessivo. Amor. Tudo se resume ao amor. E quem ama ralha. Quem ama chateia-se. Quem ama explica o que está errado para não se voltar a fazer as mesmas asneiras. Porque o maior desejo de quem ama é ajudar, a cada dia que passa, aqueles de quem gosta a tornarem-se pessoas (adultos) melhores. A Mamie Z era isto tudo e muito mais. A Mamie Z era a melhor avó do mundo (eu sei, já disse, mas apeteceu-me repetir).
(1994)
Encontrei e recortei, num jornal qualquer, esta definição de avó, segundo uma menina de 8 anos. A folha já está velhinha, toda amarelada, mas continua comigo. Achei a definição deliciosa e tão verdadeira.
A Mamie Z só não usava óculos, de resto confere. E uma avó é compatível com uma televisão, sim. A Mamie Z adorava ver televisão. Se, por qualquer motivo, ficava sem ela, um dia que fosse, amuava logo. É verdade, tinha defeitos, a minha avó. Bastantes até. E, apesar desses defeitos, ela era tudo para mim. Pensando melhor e para ser mais exacta, era também por esses seus defeitos característicos que a minha Mamie Z era tudo para mim.
Joyeuse fête mamie!
Joyeuse fête mamie!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Que tal esclarecerem-me, hein? #2
Já a minha avó me dizia: podia te ter dado para pior, filha.
Dizia isso, com um sorriso na cara, enquanto preparava a sopa "de casamento" ou tricotava mais um par de meias-arco-íris.
Fui eu que baptizei assim aquela sopa que só a minha avó sabia fazer. As pessoas riam-se por eu lhe chamar assim. Mas, para mim, fazia todo o sentido. Ora vejam, era uma sopa branca (porque levava batata, cebola e couve branca), tal e qual os vestidos de noiva. Também levava uns grãos de arroz, como se costuma lançar aos noivos, ao saírem da igreja, para lhes desejar felicidade e fertilidade. E, o mais importante, era, para mim, a melhor sopa do mundo, com um sabor único e inconfundível. Perfeita para ser servida num casamento, onde os noivos tentam presentear os seus convidados com a melhor comida que há.
Quanto às meias, a minha avó era uma expert na matéria. Fazia meias super coloridas e, para mim, super divertidas que me faziam lembrar o arco-íris da Blondine*. Entretinha-se a fazê-las para depois as oferecer, pelo natal, a todos os membros da família. Eram muito populares, as meias da minha avó e ela sentia-se a avó mais orgulhosa do mundo com isso.
Preparava a sopa de casamento, ou tricotava as meias-arco-íris, e ia olhando para mim. E via-me a entreter-me com tudo e mais alguma coisa. A brincar com o que não era suposto ser brinquedo. A criar as minhas obras de arte com restos disto e daquilo. A fazer os meus filmes onde tanto era a protagonista como também toda e qualquer personagem secundária.
Observava-me e dizia-me sempre: podia te ter dado para pior, filha. Se ainda cá estivesse, à minha beira, a preparar a sopa de casamento ou a tricotar riscas às cores, sem nunca se cansar, a minha avó continuaria, com toda a certeza, a dizer-me o mesmo. Com o mesmo sorriso, com o mesmo ar divertido e tão protector. Mas, infelizmente, não está. Pelo menos fisicamente, à minha beira, fora de mim, ela já não está. Porque cá dentro, no coração e na alma, no meu coração e na minha alma, nunca deixará de sorrir e de olhar por mim.**
Preparava a sopa de casamento, ou tricotava as meias-arco-íris, e ia olhando para mim. E via-me a entreter-me com tudo e mais alguma coisa. A brincar com o que não era suposto ser brinquedo. A criar as minhas obras de arte com restos disto e daquilo. A fazer os meus filmes onde tanto era a protagonista como também toda e qualquer personagem secundária.
Observava-me e dizia-me sempre: podia te ter dado para pior, filha. Se ainda cá estivesse, à minha beira, a preparar a sopa de casamento ou a tricotar riscas às cores, sem nunca se cansar, a minha avó continuaria, com toda a certeza, a dizer-me o mesmo. Com o mesmo sorriso, com o mesmo ar divertido e tão protector. Mas, infelizmente, não está. Pelo menos fisicamente, à minha beira, fora de mim, ela já não está. Porque cá dentro, no coração e na alma, no meu coração e na minha alma, nunca deixará de sorrir e de olhar por mim.**
Mas isto foi só um aparte, como devem ter percebido.
Agora sou eu que digo: podia me ter dado para pior... Depois da mudança do header, lembrei-me que a foto do perfil também ainda é à moda antiga. Lá fiz o penteado à Mam'Zelle M. Pintei a bela da moustache nos indicadores. Escolhi os meus óculos de sol mais estivais e fiz a pose, pois claro. Esperei que passassem os 10 segundos da praxe, com a luzinha vermelha a piscar cada vez mais rápido, e , depois, o click. Dei ar e cor de verão à coisa. Et voilà!
Agora (sim, só agora), vem o que realmente interessa. É muito bonito ter uma foto de perfil nova. Mas o bom mesmo era saber como raio se substitui a antiga por esta. E isso, já todos devem ter percebido, eu não sei fazer... Eu bem fui ao Esquema, ao Modelo e às Definições. Eu bem carreguei em todos os "editar" que encontrei pelo caminho. Mas nada. Sinal da maldita foto para substituir? Nem vê-lo. Eu sei que deve estar mesmo mesmo à minha frente. Mas lá está, shame on me, nem sempre me dou bem com o mais óbvio.
Por isso, quem me der uma luzinha, já sabe, é boa pessoa e eu agradeço. E nada de rir à minha custa. Eu sempre disse que não entendo nada disto. E, mesmo assim, já vou entendendo alguma coisita. Pouca. Muito pouca. Vou então ficar por aqui que esta conversa já vai mais do que longo...
* Blondine au pays de l'arc-en-ciel - desenho animado que passou no canal francês TF1 em 1985. Não faço a mínima ideia se também chegou a passar em Portugal.
** como já devem ter reparado, a minha avó é o meu terceiro e último (podem já ficar descansados) ponto fraco. Não se admirem que me torne lamechas sempre que aqui a recordar. Como o sou também, e já o disse, quando falo dos outros dois.
Agora sou eu que digo: podia me ter dado para pior... Depois da mudança do header, lembrei-me que a foto do perfil também ainda é à moda antiga. Lá fiz o penteado à Mam'Zelle M. Pintei a bela da moustache nos indicadores. Escolhi os meus óculos de sol mais estivais e fiz a pose, pois claro. Esperei que passassem os 10 segundos da praxe, com a luzinha vermelha a piscar cada vez mais rápido, e , depois, o click. Dei ar e cor de verão à coisa. Et voilà!
Agora (sim, só agora), vem o que realmente interessa. É muito bonito ter uma foto de perfil nova. Mas o bom mesmo era saber como raio se substitui a antiga por esta. E isso, já todos devem ter percebido, eu não sei fazer... Eu bem fui ao Esquema, ao Modelo e às Definições. Eu bem carreguei em todos os "editar" que encontrei pelo caminho. Mas nada. Sinal da maldita foto para substituir? Nem vê-lo. Eu sei que deve estar mesmo mesmo à minha frente. Mas lá está, shame on me, nem sempre me dou bem com o mais óbvio.
Por isso, quem me der uma luzinha, já sabe, é boa pessoa e eu agradeço. E nada de rir à minha custa. Eu sempre disse que não entendo nada disto. E, mesmo assim, já vou entendendo alguma coisita. Pouca. Muito pouca. Vou então ficar por aqui que esta conversa já vai mais do que longo...
* Blondine au pays de l'arc-en-ciel - desenho animado que passou no canal francês TF1 em 1985. Não faço a mínima ideia se também chegou a passar em Portugal.
** como já devem ter reparado, a minha avó é o meu terceiro e último (podem já ficar descansados) ponto fraco. Não se admirem que me torne lamechas sempre que aqui a recordar. Como o sou também, e já o disse, quando falo dos outros dois.
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