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quarta-feira, 16 de maio de 2018

"Viens ici."

Pedires-me. Agora. Neste instante. Baixinho. Como costumavas fazer.
Era o que eu queria.
Encostar-me-ia a ti. Ainda mais do que de costume. Porque, mesmo achando sempre impossível aproximar-me mais, tu nunca ficavas satisfeito.
Querias-me mais perto. Ainda mais. A ver se conseguias desfazer a birra, o amuo, ou simplesmente a tristeza que me habitava. E conseguias. 
Quase sempre.

Por isso estar a precisar que mo peças. Agora.
Para enxotar definitivamente esta tristeza que não me larga, que me desola, que não descola do meu ser.
A tristeza que colocaste nos meus ombros e que se foi entranhando pela pele adentro. Ensopando o meu corpo inteiro. Pior que nos dias de chuva, quando teimo em sair de casa sem chapéu. Pior porque a água da chuva seca-se num instante à beira de uma lareira ou simplesmente trocando a roupa molhada por outra enxuta. Agora, a tristeza, não se deixa levar tão facilmente. É mais invasora. É mais pegajosa. É tão perigosa que me assusta, mais do que me machuca.

Daria meio pacote das bolachas italianas que me trouxeste - daquelas que precisam de ser colocadas uns minutos no frigorífico e ficarem, assim, ainda mais saborosas - para te ouvir pronunciar, num francês que só tu dominas, aquelas duas palavras.
- Viens ici.
Comprometer-me-ia a dar o pacote inteiro se, ao chegar-me a ti num abraço mais que apertado como só tu me sabes dar, me livrasse da tristeza de vez.
Aquela que me assola,
essa mesma que não descola
e me deixa assim.


(trinta de Outubro de dois mil e dezassete)

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Esclarecimentos necessários para o bem comum #26 ou Eu sou assim E assado


Informaram-me - de forma extremamente elegante, atenção - que este meu casebre já não é o que era.
Indo directa ao assunto, contrariando propositadamente os rodeios infinitos usados por quem me chamou à atenção, a Mam'Zelle já não é a mesma. Ou seja, euzinha, que agora vos escrevo, deixei de ser o que, outrora, fui.
Pois bem. Depois de umas míseras fracções de segundo em que fiquei estupefacta e preocupadíssima com esta minha condição de fraude humana, retomei a compostura e pus-me a pensar no assunto. Relevante, não haja dúvida.

Ao que parece, a antiga Mam'Zelle (sim, eu) era muito mais divertida. Muito mais criativa. Muito mais engraçada. Ou seja, pelos vistos, deixei-me de ser a palhacita que sempre fui e que sempre reivindiquei ser.
Ao que parece, a nova (enfim, a mais recente, que de nova já tenho pouco) Mam'Zelle é muito mais sedutora, muito mais ousada, muito mais virada para a sensualidade. Muito mais hot.

Ora vamos lá ver se nos entendemos. Eu nunca fui menina de coro, nem freira de convento, nem nada que se pareça. Também não sou nenhuma depravada, nem tarada sexual (quoi que...).
Sou a mesma Mam'Zelle que criou, sem perceber muito bem como, este Miúda há seis anos atrás, só que com mais meia dúzia de anos em cima (óbvio). Não sou, no entanto, menos palhacita por causa disso. Também não passei a ser mais... nem sei bem como qualificar a outra parte devidamente ou sem correr o risco de cair na vulgaridade. 
É possível que, de há uns tempos para cá, tenha publicado mais textos/fotos que possam ser vistos/qualificados de "sensuais", mas, temos de convir, este adjectivo deve ser usado com muitas muuuuuuuuitas aspas. Posso não dedicar tanto tempo de antena à minha parvoíce. Até porque é um direito que me assiste. E, verdade seja dita, já a exploro de sobra na minha vida real. Mas estas duas facetas da Mam'Zelle sempre existiram. Enfim, uma delas, só depois da idade adulta, como é natural. Podia era, no início, sentir-me mais inibida para postar certas coisas. Não vou negar, de facto, que me estou cada vez mais nas tintas para a ideia que possa vir a transmitir da minha pessoa. Mesmo nunca me tendo importado muito com isso.

Para resumir e concluir, no fundo, sou igual. Igualzinha. E, a meu ver, este espaço não está assim tão diferente. Pronto. E assunto encerrado.
Encerrado da minha parte. Porque, como é óbvio, a malta pode - e deve - pronunciar-se sobre o assunto, se assim o desejar.




nota: as palavras que estão em itálico não são minhas, foram descaradamente transcritas do mail que me enviaram e que está na origem deste post.

quarta-feira, 14 de março de 2018

E é isto #30 ou A Arte de Bem Relativizar


No fim-de-semana passado, passei-me.
Eu, que tinha tudo devidamente desenhado; desandei.
Eu, que me considerava calma; cambaleei.
Eu, que me sentia segura; serpenteei.
Eu, certa da minha escolha; escorreguei.

Tinha passado dias a fio, a estudar o código braille
Dediquei horas preciosas a dispor, com arte e engenho, no word, pontos e mais pontos, em carreirinhos. 
Não me valeu de nada.
A minha sorte é não ter esquecido por completo o que me ensinaram nas aulas de língua gestual. 
E eu sempre tive bastante jeito com as mãos.

Nunca tinha posto em causa a minha fisionomia. Sempre reivindiquei o ser franzina como um trunfo. [je suis l'as de pique, tiens-toi à carreau.] 
Mas, no fim-de-semana, desejei, por instantes, ter um antebraço menos delicado.
Não me valeu de nada.
A minha sorte é ter ombros. Este tipo de ombro peculiar. 
E tu sempre tiveste imenso jeito para o elogiar.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Os meus não-assuntos #1


Por vezes, dou por mim a arrepender-me de ser preguiçosa no que toca a essas cenas de beleza.
Dou por mim a pensar que, se me maquilhasse, poderia ser mais apresentável.
Nada de carregado, nem ostensivo.
Só uma boa base, um pó bonne-mine, um rímel.
Coisinha pouca, portanto.

Logo a seguir, tiro essa ideia da cabeça.
É que nem sequer me chega a aquecer os neurónios,
de tão rápido que se evapora esse pensamento.
Isto, não só pelo aspecto chato, superficial, consumista da coisa,
mas também pelo receio de me aperceber, depois de o fazer, que,
mesmo assim,
continuo na mesma.
Pouco apresentável.
E que a culpa não é da falta de maquilhagem,
está mesmo em mim.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Que tal esclarecerem-me, hein? #15


Alguém que me explique por que raio me dizem sempre: 

Ai, peço desculpa!

isto, com o ar mais consternado do mundo - como se eu acabasse de confessar que me diagnosticaram uma doença terminal (lagarto, lagarto, lagarto!) ou o caraças - quando, no decorrer de uma conversa, sou levada a mencionar que estou divorciada.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Para não fugir à tradição


aqui fica a foto possível, como registo do primeiro dia dos meus quarenta anos*.







* diz que, repetir várias vezes, ajuda à aceitação da coisa.

Os temerosos quarenta...


já cá cantam.


Enquanto não tiver um único cabelo branco e me conseguir vestir na secção criança* da Zara, a coisa vai boa.

Ámen.





*[tamanho pré-adolescente, vá]

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Insatisfeita


Nunca pensei que este poderia vir a ser um adjectivo com o qual me identificasse. Aliás, até posso dizer que é um termo que sempre me irritou sobremaneira. Parecia-me atributo de gente, no mínimo, mimada. No máximo, outras coisas mais que não me apetece, de momento, verbalizar. No entanto, aqui estou eu, a aceitar - a custo - as evidências.

Fui-me apercebendo, aos poucos, mas num espaço de tempo relativamente curto, que sou um ser insatisfeito. Ousaria até dizer, intrinsecamente insatisfeito. Os indícios foram claros, a partir de um determinado momento da minha vida. Recente, bastante recente, esse momento. 

Por que razão, uma pessoa com quatro décadas de vida [nem me falem, que estou mais parva do que vocês...], só se apercebe desta sua característica tão tarde? Eis uma pergunta pertinente, que merece toda a atenção necessária, no intuito de se chegar a uma resposta satisfatória. A uma conclusão. E eu que nunca me canso de explicar, de deduzir, de inferir; de concluir.

Quando uma pessoa tem uma vida de merda, não é insatisfeita. Tem necessidades.
Tem todas as razões e mais alguma - e a maior das legitimidades portanto - de se sentir em baixo, de querer mudar a sua condição. 

Eu nunca tive uma vida de merda. Por isso mesmo, nunca tive necessidades. O certo é que sempre achei que tinha a vida possível, tendo em conta o contexto em que me movia, existia. Sempre achei que tinha o necessário. O que merecia. O que me era devido. Sempre achei que merecia pouco, na verdade. E, esse pouco, eu tinha. Para além disso, no fundo, bem lá no fundo, parece-me que sempre acreditei que, um dia, a minha vida poderia ser diferente. Melhor? Sempre acreditei que a minha vida era aquilo que era, mas que, um dia, seria outra coisa. Uma coisa que preenchesse o que faltava. Mesmo eu nem sequer ter tentado imaginar, um segundo que fosse, o que estava efectivamente em falta. Agora, olhando para trás, apercebo-me que sempre julguei que, se ainda nada tinha profundamente mudado, abalado o meu quotidiano, era por ainda não ter chegado a (minha) hora e porque tudo na vida leva o seu tempo. Com alguma demora, irremediável, pelo caminho.

Posto isto. Acredito que sempre fui uma insatisfeita em potência. Não tinha, no entanto, chegado a altura de o admitir. Só quando tomei consciência de que mereço tudo - este mundo e o outro, se, efectivamente, outro mundo existir - é que se tornou inevitável assumir a plenitude desta minha faceta, a somar a tantas outras que me habitam.
De me assumir, com todas as letras, intrinsecamente insatisfeita.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Hell yeah!! #75





[pelo menos é o que me apetece, desde o fim-de-semana passado. e esta vontade tem tendência a intensificar-se, com o aproximar do próximo fim-de-semana. e não, não tem absolutamente nada a ver com o meu cabelo. antes tivesse.]

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Ambiguidades ensolaradas


O mês de Agosto foi, durante quase toda a minha vida, o mês mais aguardado, mais feliz, mais colorido de todos os meses do ano.
Há quatro anos que deixou de ser o meu mês de eleição. 
Há quatro anos que este mês me angustia, me fere, me entristece.


O mês de Agosto é tramado porque traz com ele o melhor e o pior do meu mundo.  
Continua a ter das coisas que mais gosto. 
O calor que me aquece o corpo e o resto também. O sol que me faz sentir mais leve e mais solta. 
Mas deixou de ter o melhor que a vida tem. 
Uma âncora que te tranquiliza, te orienta, te fortalece. O sopro quente de quem te quer bem e te ama incondicionalmente. 

O mês de Agosto deixou de ter o abraço da minha mãe.

E, por mais que eu tente fingir que tudo está bem [e que bem que eu sei fingir estas coisas], sinto que nunca mais irei desfrutar deste mês, que agora termina, como em tempos tão bem o fiz.

                                            (escrito num dos últimos dias do passado mês.)






nota: viste, LAH? continuo a saber lamuriar-me razoavelmente bem. ;p

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

E é isto #26

há uns dias, vim cá escrever um texto. Deixei-o nos rascunhos, como que a marinar, tal e qual já fiz com tantos outros.

Há pouco, antes de começar a escrever estas linhas, fui lê-lo de novo. E, mal acabei de o ler, mandei-o às urtigas, que é como quem diz, carreguei no botãozinho do Delete e o assunto ficou devidamente arrumado. Percebi logo que não fazia sentido publicá-lo, muito menos sentido faria mantê-lo nos rascunhos, junto com os outros cento e cinquenta e sete que ainda lá estão.

Apesar de irónicas e excessivamente bem dispostas, havia muita lamúria subjacente naquelas palavras. Muito paleio de pobre desgraçada podia ser lido nas entrelinhas por qualquer leitor mais atento. E eu não nasci para isto. A verdade é essa.
Nunca fui de lamentar as agruras da minha vidinha. Nunca tive jeito para a autocomiseração. E isso não pode mudar. Simplesmente porque eu não quero que mude. 


Enquanto vou tendo plena consciência disso, nem tudo está perdido.
Creio eu.
Sem qualquer tipo de certeza.
 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Current mood #1





nota: reparem que não devo estar mesmo em mim para preferir escrever o título em inglês - em detrimento do francês - para esta coisa aqui.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Diz que pela boca morre o peixe


Ora bem. 
Sempre achei uma fantochada de todo o tamanho aqueles posts a informarem o pessoal, com dias ou semanas de atraso, do aniversário de um determinado blogue.
Ai e tal, passou-me completamente ao lado.
Ai e tal, ando tão atarefado/a que quase nem tenho tempo para respirar.
Ai e tal, a minha vida é tão acelerada e preenchida que nem dei pelo dia chegar.

Para mim, eram tudo balelas. 
O blogger em questão não se esqueceu coisíssima nenhuma que o seu menino acabara de completar mais um ano de vida. Lembrava-se sim e muito bem. Agora, o certo é que é sempre bom mostrar um tico de distanciamento em relação a estas coisas. Confere um certo estatuto à pessoa dar a entender que tem coisas muito mais empolgantes para fazer do que se lembrar deste tipo de datas.

Eu nunca me esqueci.
Pensava nisso com, no mínimo, uma semanita de antecedência para criar um post diferente. Um post bonito. Um post comemorativo. E no dia em questão, sem qualquer tipo de atrasos, lá publicava o dito post.
Foi assim durante quatro anos.

Este ano, falhei. 
E tenho de engolir em seco.
Afinal, dá para esquecer mesmo.
Eu esqueci.

E não é por andar demasiado atarefada.
Não é por ter uma vida acelerada. Muito menos por ter uma vida preenchida. [ando insatisfeita, sim. mas, isso, já devem ter percebido os mais atentos.]
A verdade é que me passou completamente ao lado. Mesmo.
E porquê? Porque este blogue já não é o que era. Eu já não sou o que era. Tão somente isto.
E, pensando bem, talvez gostasse mais da Mam'Zelle daquela altura. Da Mam'Zelle que, ao longo de quatro anos, não deixou passar o dia dois de Abril em branco.

Parabéns, casebre, por estes teus cinco anos de existência. Apesar de tudo, ainda gosto bem de ti.

terça-feira, 21 de março de 2017

E é isto #25



A segunda opção não sendo viável, tenho-me entretido com as outras duas.
Vou dando, no entanto, mais atenção à última.
É que a primeira, parecendo que não, cansa que me farta.
E, para me cansar, já basta o resto.





Nota-se muito que já tive melhores dias?
Espero bem que não, só porque - supostamente - estou em modo terceira opção.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Não sou de sonhos, objectivos, projectos, planos de vida e afins, mas sou de ideias fixas.


Nem que demore mais de um ano a materializá-las. É para ver o quão fixa pode ser uma determinada ideia minha.

Pois bem, foi, de facto, há mais de um ano que me aconteceu... como dizê-lo?... um certo... hum... percalço, digamos assim, vá. Relatei-o ali atrás.
Tudo tretas. Não sou de ideias fixas coisíssima nenhuma. Já nem me lembrava daquilo. Até já tinha ido ao Porto outras vezes, entretanto, e nem me passou pela ideia ir comer uma francesinha. Tiveram de me relembrar a coisa. Sim, sou um caso perdido.
Então por que raio aquele título enganador, menina Mam'Zelle?, pergunta a malta intrigada e com todas as razões do mundo.  
Porque achei que ficava bem. Porque achei que não ter aquelas coisas todas dos sonhos e afins - que ficam sempre muito bem no perfil de uma pessoa - mas ter outra diferente, como a determinação neste caso, poderia compensar. Só que não.
Pronto. Pronto. Já percebi. Sou mesmo um caso perdido.

Adiante.
Este ano (no passado sábado), conseguimos ir no carro-boat (sim, ainda existe. milagres da vida). Não estava a chover e dava jeito para trazer mais uma estante para aquela divisão do sótão que também é minha, diga-se o que se disser. Comeu-se um caldo verde contaminado pelo vírus de uma gripe qualquer e, depois, ala que se faz tarde, estrada fora.
Este ano, marquei mesa. Fi-lo bastante contrariada, é um facto inegável. Mesmo assim, liguei duas vezes. Porque achei que vinte horas era capaz de ser justo, mudei para as vinte e trinta. Não me valeu de nada.  [É que, desta vez, não se levou o meu GPS e há gente que gasta balúrdios num casaco de cashmere, mas, depois, não quer gastar uns tostões para ligar o GPS no seu smartphone, durante uns minutitos. (nota-se que estou a ajustar contas, again, por aqui? é que não me dava jeito nenhum que assim fosse.)] Vinte e cinquenta e três, empurro a porta. Explico a situação com a minha cara de cãozito abandonado. Quando percebo que o morcão tinha entregue a nossa mesa a duas sirigaitas agarradas ao telemóvel, viro pit bull e mostro-lhe, por a mais b, que não são só as gajas do norte que têm o proveito de trazer sempre uma resposta-na-ponta-da-língua.
Afinal, não voltamos para Coimbra sem jantar. Também não tivemos de ir até ao Arrábida Shopping comer mistela indiana. O morcão virou mágico e desencantou-nos outra mesa. Muito melhor localizada, por sinal. Não sei se cuspiram no molho, lá na cozinha, antes de nos trazerem os pratos. O certo é que estava bom. Não divinal. Mas bom.



Para concluir. Não me parece que me volte a meter numa aventura destas dentro de um ano e picos. Mas, como não sou moça de dizer desta água não beberei, é andar e ver. Ou seja, para o ano logo se vê.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017