Chegou a primavera. O céu cinzento e chuvoso foi-se. O tempo deixou finalmente de fazer pandã * com o meu estado de alma. Sim, estado de alma e não estado de espírito.
Uma coisa é estar-se descontente porque sim. Porque acordámos com os pés de fora. Porque, simplesmente, estamos num dia menos bom. Porque, efectivamente, algo nos correu menos bem. Porque o tempo lá fora não nos deixa vestir a mini-saia que acabamos de comprar e que é tão gira.
Outra coisa é sentir que nos estamos a desfazer por dentro, mas, ao mesmo tempo, não termos o direito de sentir a nossa dor em pleno, porque temos a melhor bebé do mundo a depender de nós. A precisar de nós, da nossa atenção, do nosso bem-estar, da nossa disponibilidade total. E a verdade é que não vai precisar só hoje e amanhã. A verdade é que vai precisar nas próximas décadas.
É por isso mesmo que há instantes em que tenho dúvidas se é uma sorte ou não tê-la. E é nesses momentos, nesses micro milésimos de segundos (que nem chegam a ser momentos, na verdade) onde sinto que seria mais fácil se a bolachita não estive aqui, porque poderia mandar tudo às urtigas e sofrer sem filtros, que percebo que é a alma que está destroçada. A alma, não o espírito.
Uma coisa é estar-se descontente porque sim. Porque acordámos com os pés de fora. Porque, simplesmente, estamos num dia menos bom. Porque, efectivamente, algo nos correu menos bem. Porque o tempo lá fora não nos deixa vestir a mini-saia que acabamos de comprar e que é tão gira.
Outra coisa é sentir que nos estamos a desfazer por dentro, mas, ao mesmo tempo, não termos o direito de sentir a nossa dor em pleno, porque temos a melhor bebé do mundo a depender de nós. A precisar de nós, da nossa atenção, do nosso bem-estar, da nossa disponibilidade total. E a verdade é que não vai precisar só hoje e amanhã. A verdade é que vai precisar nas próximas décadas.
É por isso mesmo que há instantes em que tenho dúvidas se é uma sorte ou não tê-la. E é nesses momentos, nesses micro milésimos de segundos (que nem chegam a ser momentos, na verdade) onde sinto que seria mais fácil se a bolachita não estive aqui, porque poderia mandar tudo às urtigas e sofrer sem filtros, que percebo que é a alma que está destroçada. A alma, não o espírito.
* nunca cheguei a perceber como se escreve esta palavra, se é que ela realmente existe escrita...