quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

DE repente faZ meio ano

Surreal.

Sinto-o absurdamente surreal, este tempo todo que passou, 

vazio, 

sensaborão.

Dois mil e vinte está a ser um ano estranho, 

um tanto ou quanto desarmante,

pouco estimulante, 

displicente. 

Apanhou-nos desprevenidos. 

Abraçou-nos, traiçoeiramente. 

Passa, sem darmos por ele. No entanto, está, efectivamente, a passar. E não voltará atrás. Por mais que não esqueçamos o que se viveu antes de ele nos trocar as voltas. Por mais que o que existiu, há seis meses, se mantenha mais vivo na nossa mente do que o pouco que aconteceu desde o início deste ano extremamente desafiante. O tempo passa, 

sem sentido, 

sem rumo, 

sem brilho,

sem motivação,

oco,

vão.


A verdade é que o ano vai quase a meio e não sinto que [eu] vá a lado algum.


dez de Junho de dois mil e vinte

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Para Vos Contemplar

 Estou sempre atenta às janelas espalhadas cá por casa.

À espera.

Não de pessoas. 

Nunca quis muito saber de pessoas. Contrariamente à minha vizinha do lado que, de vez em quando, me liga a contar, detalhadamente, tudo o que se tem passado, nesses dias, na rua da frente.


[fotografia tirada de uma das janelas da sala. sem filtro.]


E quando, fruto da minha espreita,  estas - e outras - belezas me aparecem num dos caixilhos de PVC, transformado em moldura digna de quadros dos mais conceituados museus, percebo que vale sempre esperar, por mais que as agruras da vida me tenham incitado a ser demasiado impaciente,

comigo,

com os outros,

com o mundo.



[escrito a 8 de Novembro de dois mil e vinte; com algum complemento de hoje.]

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Aquela cena menos detestável* da pandemia:



Perder-se metade do tempo - comparativamente com o que era o habitual antes de ela chegar - para reuniões, conferências, jantares com amigos e afins. Tudo através do Zoom. Óbvio. Que o distanciamento social é obrigatório e [só por mero acaso e grande sorte] eu gosto.




* é que não há - por mais que pareça tentador - como usar um adjectivo pela positiva nesta situação. muito menos num título. ali, escarrapachado, a chamar a atenção. apesar de se ter começado a fazer coisas indiscutivelmente boas, [infelizmente] por causa dela, que deveriam continuar a ser postas em prática, [alegremente] depois de a vencermos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

InstaBlogramável #9


{Se há quem use o instagram como blogue, eu posso usar o blogue como instagram.}


#lecafécestsacré
#paixãotardia
#bicdamour
#leituras
#tattooedgirl

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Feito!

Como prometido, aqui estou eu para apresentar um relatório detalhado cujo assunto não é nada mais nada menos do que a maior preocupação do momento: a reacção da Bolachita à minha traição natalícia.

Ora bem. Quando chegámos a casa, pedi-lhe para fechar os olhos. Ajudei-a a entrar na sala em segurança. Posicionei-a de forma estratégica, para ela ter uma visão geral da divisão em causa. De facto, para além da árvore, também acrescentei umas luzes aqui e ali. Só para tentar criar aquele toque mais especial e a Bolachita não dar de caras somente com aquela minha amostra de árvore de natal.

Mal lhe dei autorização para abrir os olhos, ficou de boca aberta, a contemplar as luzes a piscar. 

- Então, gostas?

- Não mamã, eu não gosto. Eu adoro! ... Uau! ... Agora, só falta a árvore de natal.



Verdade. Não. Não estou a gracejar. 

Eu que achei, cedo demais, que a aposta estava ganha, que as minhas costas, os meus braços, as minhas pernas e a minha sanidade mental iam ter descanso este ano; acabei por passar de um sorriso cor de vitória a um sorriso amarelo numa fracção de segundos.


- Então... a árvore é esta, gaguejei eu, a medo, apontando para a minha pequerrucha.

- Ah. Ok, mamã. Pensei que querias sempre fazer aquela grande que chega quase até ao tecto. Mas também gosto muito desta.




E pronto. 

Não se falou mais no assunto.

Assunto encerrado.

Encerradíssimo.

Para sempre.

Ufa!

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Que se lixe a minha reputação

Sou pessoa de montar a árvore uma semana antes de natal. E mesmo assim é, indiscutivelmente, mais por ter de ser do que por vontade. É aquela coisa de esperar até à última. A ver se o mundo acaba antes do dia 24 e me poupa a esse trabalho. O certo é que nunca gostei dessa ideia peregrina - e que vai ganhando cada vez mais adeptos - que manda enfeitar tudo quanto é loja e esquina mal desponte o mês de Novembro. Porém, e por mais que doa, tive de morder a língua. Passo a explicar.

Este ano, pensei que seria tudo na mesma, ou seja, calvário da árvore de natal, só depois de meados de Dezembro. [Aliás, e a bem dizer, nem pensava. Não sou de me pôr a ter longas reflexões sobre a época natalícia em nenhuma altura do ano.] Enganei-me. Arrumações e destralhanço ditaram um rumo diferente à habitual história. Desencantei uma árvore que ainda veio de França. Pequenina, jeitosinha, que não dá trabalho para montar nem desmontar, que não precisa de grandes enfeites. Apaixonei-me pela ideia de a ter, a ela, na sala; traindo a tradição que imperava desde que me mudei para esta casa. A árvore de natal era esta. Grande, imponente, que me dava um trabalho danado para montar, decorar e um trabalho ainda mais trabalhoso [redundância propositada e mui relevante] para lhe retirar toda a bugiganga, desmontá-la e levá-la, aos pedaços, até ao sótão. Só consigo levar um pedaço de cada vez. São três. E, depois, são muitas escadas. A Bolachita já as contou umas quantas vezes, só ainda não me apeteceu fixar o número. Burrice minha, que me dava um jeitaço daqueles colocar aqui um número chorudo de degraus para corroborar a minha visão das coisas.


Pois. A Bolachita. 

Só havia um pequeno senão, nesta minha traição natalícia sedutora; para lá de perfeita. A reacção da Bolachita. 

É natural que uma criança de sete anos prefira uma árvore de natal grande e cheia de enfeites a uma miniatura, a uma mera amostra de árvore. Por isso, tive de rever as condições da minha relação com a minha nova amada. Eu bem queria que ela ficasse só com umas luzinhas. Simples e elegante. Tive de lhe colocar uns berlicoques pequeninos, a ver se a Bolachita se apaixona também. Ficou encantadora, dizem.

O bom disto é que, em vez de ter a árvore de natal quinze dias, a menina-dos-meus-olhos vai poder admirá-la quase dois meses. Nada mau, digo eu. Agora, é rezar para que abrace a ideia, veja o lado positivo da coisa e aprove esta minha pequena traição.



Aqui está ela.


Depois conto se consegui levar a minha avante, junto da Bolachita.