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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Considerações avulsas #2

Foi preciso um telefonema - um tico atribulado, diga-se de passagem, que até me desligaram na cara, uma sem vergonhice, digo-vos - para me aperceber de duas características minhas. Dois tiques, vá. Vamos lá chamar os bois pelos nomes.

Primeiro tique.
Quando estou a pensar - estando ao mesmo tempo constrangida, pouco à vontade [com vontade de fugir, melhor dizendo], colocando a hipótese de dar dois estalos a mim mesma por me ter colocado em tão desconfortável situação - pego no meu indicador direito e bato com ele, ao de leve, no centro do meu lábio inferior. Este procedimento dá origem a um som, extremamente subtil, quase imperceptível, que me agrada e me deixa um tico menos desconfortável.

Segundo tique.
Quando se instala um silêncio super embaraçoso - que dura há poucos segundos, mas que parece prolongar-se há meia vida e mais um par de dias e acabamos por desconfiar que a pessoa do outro lado já desligou, mas não conseguimos confirmar com um 'está?' porque o constrangimento tira-nos faculdades que devem estar ligadas ao domínio da fala - pego no mesmo indicador direito e passo-o, suavemente, num movimento de vai e vem, de cima para baixo e vice versa, no pentágono que se situa entre o nariz e os lábios. Pensando a posteriori, poderá ser uma forma de distracção para que a suposta eternidade não demore tanto(?).



Obs: sentem que este texto está um tico confuso? muito diferente do discurso elegantemente fluente e airoso a que vos tenho habituado, desde sempre? Pudera, toda eu estava uma confusão pegada. Ceci explique cela. Voilà, voilà.



[3 de Junho de 2019]

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #17


que gosta da palavra.
Mantenho com ela uma relação de amor, baseada no respeito, alimentada por fascínio, vivida com intensidade.

Costuma-se dizer que um gesto [uma atitude/um sorriso/e tantas outras coisas] vale mais do que mil palavras. 
Não poderia discordar mais de tal adágio.

É óbvio que os gestos, as atitudes, os sorrisos e tantas outras coisas são importantes. Essa premissa não está em causa. Não quer dizer, no entanto, que são preferíveis às palavras.
Não as substituem. 
Não as compensam.
Não as devem anular. Nunca.
Para mim, não lhes retiram valor,
Ardor.

Verbalizar comportamentos, sentimentos, sensações, emoções é-me fundamental. Que quem me rodeia também o faça é-me necessário.
Grafar o que a mente vai ditando é materializar em letras as suas divagações. É entregarmo-nos ao papel num puro acto de auto alforria mesclada de confissão.



A palavra, para mim, sendo ela dita ou escrita é primordial. 
É essencial,
Vital. 
A palavra, sendo ela dita ou escrita é poderosa. 
É deleitosa,
Sensual.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #16


De subir os degraus das escadas dois a dois. Sempre.
Seja que tipo de escadas for. De madeira, de cimento, de ferro ou de outro material qualquer. Sejam elas interiores ou exteriores. Todas. Todinhas.




Pronto. Pronto. Já vos estou a imaginar, aí do outro lado, a barafustar contra a minha pessoa. É muito feia, essa atitude. Fiquem desde já sabendo.
Ai e tal... esta gaja diz que não se mete em cenas fit, que não faz qualquer tipo de exercício, que vida saudável é comer o que é bom e o resto é conversa. Mas, afinal, sobre os degraus - de toda e qualquer escada - dois a dois para exercitar as pernocas.

Nada disso, maltinha boa, armada em detective-das-conclusões-precipitadas-e-por-isso-mesmo-todas-erradas.
Se subo os degraus - de qualquer tipo de escadas - dois a dois é, uma vez mais [mais ou menos como acolá], por preguiça poupança de energia. Subindo os degraus dois a dois, e fazendo bem as contas, reduzo o número de degraus a subir para metade. Por isso mesmo, faço menos movimentos, canso-me menos e chego mais rápido onde quero.



E esta hein?
Com esta é que a malta não contava.
Pois.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #14


que não consegue resistir. Por mais que me mentalize e tenha noção da parvoíce que é, não consigo deixar de usar, num determinado contexto, uma expressão que se torna irritante.
Ou seja, sempre que tenho de iniciar uma conversa mais séria - quando teimo em falar de assuntos que talvez fosse preferível calar, tipo guardar só para mim, mas que este feitio ranhoso não deixa - lá me sai o 'Então é assim' ou a versão curta 'É assim'. E repito aquilo umas quantas vezes antes de começar a conversa propriamente dita. O número de vezes que me saem estas palavras da boca é proporcional à dificuldade que tenho em falar aquilo que, na minha cabecita, tem de ser dito. Aquele ritual é como  uma espécie de ajuda para adiar o inadiável. Patético. Eu sei.

Não fosse eu tão gaja-que-não-consegue-calar-o-que-lhe-vai-lá-dentro e não teria de fazer figuras tristes ao repetir estas palavritas da chacha.
Mas sou.
O que se há-de fazer?
Tu, pxiu. Pergunta retórica. Sabes o que é? Por isso mesmo. Calou!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #13


Que tem uma panca qualquer com molduras.

Não sei bem explicar porquê. O certo é que estou sempre a comprar molduras. Não faço a mínima ideia do que vou lá colocar. Mas, sempre que vejo uma moldura bonita (ou, então, nem tão bonita assim mas baratinha e com potencial), trago-a para casa.
Não consigo resistir. 
Há sempre uma vozinha fofinha na minha cabeça a tentar chamar-me à razão. A tentar levar-me a entender que já tenho muitas e que ainda estão praticamente todas vazias. A ganhar pó. Sem qualquer utilidade ou sentido estético. A vozinha nunca falha.
Mas não adianta.
Não ligo nada a vozinhas, muito menos a vozinhas fofinhas.

Melhor dizendo, não ligo a ninguém. Faço aquilo que me apetece. E isso, parecendo que não, pode ser uma enorme chatice. Como acaba por ser, neste caso em particular também.

terça-feira, 10 de março de 2015

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #8


Que não se importa minimamente de dormir de qualquer um dos lados da cama. Pode tanto ser do lado direito como do esquerdo. Tanto faz. Tem é de ser do lado mais próximo da porta.





nota: não, não é só por birra. é que sou moça para precisar de ir à casa de banho de madrugada. e, assim, a coisa torna-se mais fácil. até porque não sou de acender a luz. espalhava o sono num instantinho. o que não dava grande jeito, convenhamos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #7


que tem um medo danado de estragar as coisas.

Desde muito pequena. Desde sempre.
Ofereciam-me um qualquer brinquedo e eu demorava dias e dias antes de começar a brincar, de facto, com ele. Passava esses dias e dias, primeiro a olhar para ele. Depois, a abrir a caixa com todo o cuidado. Finalmente, a manuseá-lo com alguma apreensão. Sempre com aquele receio de o estragar. Sempre com aquele medo de fazer com que ele deixasse de ser tão bonito, sem defeitos. Tão 'perfeito'. Por vezes, passavam-se meses, antes de eu me aventurar na descoberta. Muitas vezes, o brinquedo já tinha deixado de ter qualquer tipo de interesse para uma criança da minha idade quando, efectivamente, perdia o receio de brincar com ele. Acabava, assim, por não o aproveitar no momento certo.
Com o passar dos anos, deixaram de me dar brinquedos. Passou a ser com outra prenda qualquer. Não é necessário que seja algo muito valioso. É que se fosse, até se poderia entender esta minha mania. Mas não. Basta ser algo que me tenha sido oferecido. Basta que seja algo que passe a ser meu. Por exemplo, sempre demorei dias antes de tirar aquela película transparente do vidro dos relógios ou do ecrã dos telemóveis. Sim, é verdade, também me oferecem relógios e telemóveis. Aliás, para ser mais exacta, nunca comprei nenhum. Nem de um, nem de outro.

Essa dificuldade em aproveitar em pleno o que me é oferecido continua até hoje. Por acaso, tenho um exemplo bem recente. No dia dos meus anos, recebi uma máquina fotográfica toda XPTO. Pelo menos, para mim, assim o é. Já que a minha outra máquina é velhinha velhinha e é do mais básico que possa haver (também ela oferecida). Pois bem, recebi a máquina há mais de três semanas e ainda nem sequer retirei a tampa que tapa a objectiva. Quando a recebi, abri a caixa, com todo o cuidado do mundo. E peguei nela, com algum receio, enquanto agradecia a oferta. Mas, segundos depois, voltei a colocá-la, delicadamente, na sua caixa. Li o manual, assim na diagonal. Até porque não percebo patavina daquilo que lá vem escrito. Mas nada de mexer na máquina. Nada. 
A pessoa, que me ofereceu a dita máquina, está farta de perguntar se já peguei nela, se já me entendo com ela, se já tirei muitas fotos fixes com ela. E, eu, limito-me a responder que não. Não, a todas as perguntas. A pessoa acha estranho. E eu dou a desculpa de que veio sem cartão de memória. Mas pode-se usar/manusear a máquina, mesmo sem cartão, para nos podermos familiarizar com ela, dizem as pessoas. Está bem, mas prefiro ter tudo em ordem antes de me aventurar, respondo eu. 
Andei a adiar a compra do raio do cartão. Anteontem, levaram-me até à Worten, para eu o poder comprar. Está aqui. Mesmo à minha beira, o cartão de memória, ainda na sua embalagem. Intacta. Ao lado, está a caixa com a máquina fotográfica. Intacta.

Hoje de manhã, olhando para o cartão de memória na sua embalagem intacta e para a máquina fotográfica na sua caixa também ela intacta que estão aqui na mesa, à beira do computador, pus-me a pensar. Lembrei-me desta minha mania parva. E pus-me a pensar nas pessoas. Nas pessoas que passaram pela minha vida. Naquelas que já não fazem parte dela. Naquelas que, de uma maneira ou de outra, ainda nela permanecem. Naquelas que chegaram há pouco e que, parece-me, estão prestes a dar de frosques. Pensei nessas pessoas todas. Numas mais. Noutras menos. Pensei mais nas últimas. Numa das últimas em particular, sem dúvida. Percebi que, talvez, sem dar por ela, sempre tive essa mania parva não só com objectos que me eram oferecidos, mas também com pessoas que a vida me vai oferecendo. 
Percebi que, talvez, nunca deixe de ter essa mania com objectos. Agora, de uma coisa tenho eu a certeza. Não a quero ter mais com certas pessoas que a vida me 'ofereceu'. Com as últimas pessoas. Com uma dessas pessoas em particular. sim, és tu. parvo-convencido-susceptível-e-casmurro(nos dois sentidos da palavra)-como-o-raio.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #5


Por mais que me ponham à vontade e até me incentivem a fazê-lo, não consigo rasgar à maluca* os embrulhos das prendas que me oferecem. É mais forte do que eu. Tenho de tentar descolar, com toda a paciência do mundo (que não tenho, mas que vou buscar, sabe-se lá onde, só mesmo nestas situações), cada pedacito de fita-cola. O objectivo primeiro é estragar o papel o menos possível. Se tiver uma tesoura ou uma faca por perto tanto melhor. Que a coisa fica mais perfeitinha.
A prenda em si, essa, pode esperar. Até porque, em princípio, não foge.


* sim, sou muito atinadinha no que ao desenrolar de presentes diz respeito.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #4


que não come o belo do croissant como, aparentemente, seria suposto. Eu cá vou desenrolando o moço e saboreando cada pedacinho (para mim, esta é a única forma de o comer que faz efectivamente sentido, mas pronto). Também costumo molhá-lo no galão ou no chocolate quente que sempre o acompanha. Pois que nunca é comido sozinho. Não me sabe tão bem. Fazer o quê.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sim, sou desse tipo de pessoas, mesmo #2


que tem o seu pequeno ritual na hora de dormir.
Deito-me sempre para o lado direito. Depois de algum tempo, viro-me para a esquerda. Não sei precisar ao certo o tempo que demoro. Depende. Uns cinco, dez, quinze minutos. É quando me dá vontade. E, regra geral, adormeço assim. Se estiver com dificuldade em pegar no sono, viro-me mais umas quantas vezes. Mas, em princípio, quando é para adormecer mesmo, estou virada para a esquerda.