Tinha um naperon pousado na mesinha, frente à televisão. Esse naperon foi-me dado pela minha mãe, penso que quando vim para Portugal, já lá vão quase dezassete anos. Estava sempre ali com uma ou outra bugiganga decorativa por cima. A minha mãe é daquelas pessoas que, para, segundo ela, não estragar os móveis, coloca naperons em tudo quanto é sítio. Quando vim para Coimbra, herdei uma panóplia deles, para colocar nos meus móveis, obviamente. Ao mudar de apartamento, juntei os naperons todos, coloquei-os num saquinho de plástico e recambiei-os para casa dos meus pais, lá na terrinha. Mas guardei este. Porque era pequeno. Porque era mais delicado. Porque até tinha a sua graça. E lá foi ficando na mesinha. (Pensando nisso, sei que guardei outro, mais pequeno, pelos mesmos motivos. Já não se encontra em cima de nenhum móvel da casa. Deve estar arrumado numa gaveta qualquer. Agora dava-me jeito encontrá-lo.) No outro dia, fartei-me de o ver por ali. Peguei nele e atribui-lhe uma nova função, dando-lhe uma nova roupagem.
E deu nisto.
Sim. Era mesmo só isto.