Quando era pequena, a minha mãe fazia sempre um bolo ao fim-de-semana. Era um bolo ou uma tarte. Quase sempre de maçã. Quase sempre o mesmo bolo ou a mesma tarte. Eram bons, isso é que importava.
Quando cheguei a Portugal, sozinha, senti logo falta desses doces. Aventurei-me. Comecei a fazer os meus bolos. Rapidamente desisti. Uma primeira má experiência por ter um bolo prontinho a cozer e um forno que teimava em não se deixar ligar e o facto de ter de andar a comer, dias a fio, o mesmo bolo, sozinha, ditaram o fim da minha aventura doceira. Passei a parar, todos os dias, quando regressava das aulas, numa pastelaria onde comprava o bolo que me apetecia na altura para comer ao lanche.
Que me lembre, nunca mais fiz bolos.
Nunca mais, até ao dia de anos da Bolachita. Fiz-lhe um bolo de maçã (
este aqui, das primeiras fotos). E não me saí nada mal, para quem esteve parada tantos anos.
No fim-de-semana que passou, fiz este bolo de pêra.
Para mim, ficou perfeito. Gostei imenso e vou ter de repetir um dia destes.
Se, por mero acaso, parecer a alguém que o bolo está um tico (pequeno ou grande) cru no meio, é pura ilusão de óptica, ou logro fotográfico, ou alucinação de olhos marados.
Ou então não.
O certo é que estava muito bom. E, não tarda nada, volto a fazer. Já disse, não disse? Então pronto. Está tudo dito.