Foi há mais de um ano que vim para aqui confessar a minha desilusão, despejar a minha frustração, desabafar um tico.
Nessa altura, só não desisti de tudo porque não podia. Não havia como voltar atrás. Mas, se, naquela altura, tivesse tido essa hipótese, teria devolvido a casa que tanto me tinha feito vibrar quando a visitei pela primeira vez. Despachava-a sem hesitar. Mandava-a às urtigas. Nem tanto por já não me sentir com forças para enfrentar tantos problemas (e acreditem que me faltaram muitas vezes, essas forças). Devolvi-a a na hora porque já não gostava dela como daquela primeira vez. Já não sorria com os olhos quando entrava por aquela porta antiga. Já não fazia planos quando subia aquelas escadas de madeira. Já não me sentia em casa.
Esse era o meu maior receio. Não conseguir ser feliz na casa que tantas dores de cabeça me estava a dar.
Já passou mais de um ano.
O previsto, quando adquiri a casa, era podermos vir viver para cá quando a Bolachita fizesse três meses. A Bolachita já fez dois anos (vinte e cinco meses, para ser mais exacta) e só nos mudámos definitivamente há uma dúzia de dias.
Já passou mais de um ano e, parando para pensar, sentada no meu sofá vermelho, percebo que aquele meu receio não tinha razão de ser.
Vejo, de novo, que esta é a minha casa.
Sinto que não poderia ser outra.
Acredito que é, de facto, a casa perfeita para mim.
Perfeita para nós. E, sim, estás incluído neste 'nós', meu Bananita Casmurro. Tu e as resmas de filhos que poderemos vir a ter.
Finalmente.
nota: não, todos os problemas não estão resolvidos, longe disso. mas, pelo menos, já podemos viver na casa. aproveitá-la. e, o mais importante, a Bolachita já tem o quarto dela que, modéstia à parte, está lindo de morrer. ;)