quarta-feira, 14 de março de 2018

E é isto #30 ou A Arte de Bem Relativizar


No fim-de-semana passado, passei-me.
Eu, que tinha tudo devidamente desenhado; desandei.
Eu, que me considerava calma; cambaleei.
Eu, que me sentia segura; serpenteei.
Eu, certa da minha escolha; escorreguei.

Tinha passado dias a fio, a estudar o código braille
Dediquei horas preciosas a dispor, com arte e engenho, no word, pontos e mais pontos, em carreirinhos. 
Não me valeu de nada.
A minha sorte é não ter esquecido por completo o que me ensinaram nas aulas de língua gestual. 
E eu sempre tive bastante jeito com as mãos.

Nunca tinha posto em causa a minha fisionomia. Sempre reivindiquei o ser franzina como um trunfo. [je suis l'as de pique, tiens-toi à carreau.] 
Mas, no fim-de-semana, desejei, por instantes, ter um antebraço menos delicado.
Não me valeu de nada.
A minha sorte é ter ombros. Este tipo de ombro peculiar. 
E tu sempre tiveste imenso jeito para o elogiar.

terça-feira, 13 de março de 2018

sexta-feira, 9 de março de 2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

Não sou eu. Quem diz é... #4



Joseph Joubert



Il est des esprits semblables à ces miroirs convexes ou concaves 
qui représentent les objets tels qu'ils les reçoivent, 
mais qui ne les reçoivent jamais tels qu'ils sont.





Parece-me claro que as pessoas entram nessa categoria de objectos, mencionada pelo Sr. Joubert.
Quanto aos espíritos, pois que me parece que são quase todos - se não todos - a assemelharem-se aos ditos espelhos. 
E a graça do (auto)conhecimento humano, quanto a mim, reside nisso mesmo. Nessa fascinante e instigante discrepância entre o que se vê e o que é visto.

terça-feira, 6 de março de 2018

(Tal e qual) um par(to) perfeito

Há coincidências que mais parecem o destino a tentar abrir-nos os olhos.
Há coincidências que não enganam e que, inevitavelmente, nos fazem sorrir quando damos por elas. (e eu, distraída inveterada, nem sempre as alcanço à primeira.)
Há coincidências deliciosas que me fazem acreditar que não sou um caso perdido e que aquela analogia da minha avó, sobre utensílios de cozinha, é capaz de estar certa. Tão certa quanto tudo aquilo que ela dizia, a minha avó.

Passaram nove meses certinhos. Com todas as etapas que um parto perfeito deve ter.
A surpresa. O encanto.
A negação, pautada pelo medo. Um receio bobo de se vir a perder aquilo que se está a ganhar.
As descobertas. As adaptações. As dúvidas. A aprendizagem.
O conhecimento. As alegrias. Os aconchegos.
E, paulatinamente, a certeza de que o que nos está a acontecer é melhor do que aquilo que tínhamos antes, por melhor que fosse. 

O processo leva nove meses, para um parto perfeito. 
Demorou nove meses para nós também.
Tu e eu. Perfeitos, no encaixe sísmico das nossas imperfeições.


(vinte e três de Outubro de dois mil e quinze)
[

sexta-feira, 2 de março de 2018

Como que para sacudir as más vibrações


... e, essencialmente, rir de mim própria.
[Até porque não há ninguém que saiba rir melhor do que eu. Tirem já daí essa ideia.]




Aqui fica uma bela ilustração para este post aqui.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Em humilde resposta à Dona Antonine*


Seules les morsures 
- aussi équivoques et dangereusement excitantes soient-elles - 
te raccrochent à la vie.




* que disse um dia: La mort est la plus sûre compagne de toute de l'homme, la seule sur qui tu peux compter en dernière instance pour t'arracher aux dangers de la vie. [quanto a mim, melodramaticamente assustadora, a senhora]