Ontem.
Na cozinha.
Sentados. Ele e eu. Frente a frente. Na península que sonhei ilha mas que não passou do sonho por causa dos escassos metros quadrados que compõem o espaço.
- A que horas foste buscar a tua almofada?
- Por volta da uma e pouco, acho eu.
- Não voltes a fazer isso, está bem?
- ...
Não lhe respondi por não saber se estaria, de facto, bem.
Entre dois goles de chá. Sem nada a acompanhar. O que, por si só, já é surpreendentemente revelador.
- A verdade é que f*demos, mas as coisas continuam mal, o que é f*dido.
Não me respondeu. Não abriu mais a boca. A não ser para falar breve e desajeitadamente do tempo lá fora, depois de ter ido respirar fundo a uma das seis janelas da sala.
(quinze de Agosto de dois mil e dezasseis)